Na democracia portuguesa eleições rimam com inaugurações. Quando se fala em eleições autárquicas esta rima assume proporções gigantestas. É normal. Já sabemos e ninguém se surpreende.
Em Porto de Mós, no concelho onde vivo, mais precisamente na Freguesia do Juncal, existe um pavilhão gimnodesportivo pronto há algumas semanas.
A política é feita nos momentos certos e a inauguração aguarda por um dia politicamente favorável. O actual Presidente da Câmara, que se irá recandidatar, aguarda certamente pela divulgação do candidato do partido rival para tentar reduzir o impacto da notícia com uma inauguração vistosa. Em termos políticos a lógica nem é descabida, mas o investimento de um milhão de euros lá está, às moscas, à espera do momento certo para bater a bisca na mesa. A população que espere.
Na mão de certos autarcas, os investimentos públicos não são um fim em si mesmo, mas apenas um meio para atingir um fim.
sobre o autor
Paulo Sousa 36 anos - Empresário - Secretário da Junta de Freguesia do Juncal (eleito pelo PSD não filiado) - vilaforte.blogs.sapo.pt
Últimos 3 artigos
Eleições 2009, um balanço - 11-10-2009
Gripe A e as eleições - 10-07-2009







{ 6 comments… leia-os abaixo ou comente também }
Será assim mesmo? A obra foi já entregue pelo empreiteiro e vistoriada? Às vezes parece estar pronta mas o processo ultrapassa o aspecto visível da obra. Na dúvida pergunta-se.
De qualquer das formas não possuímos dados estatísticos que indiquem o número de obras públicas anual e se elas se inauguram em maior número em ano de eleições. O que é certo é que em anos particulares como estes, as oposições, sejam quais forem, acusam de eleitoralista qualquer inauguração. Existe, como diz o autor, o risco delas eclipsarem os candidatos da oposição. Não sei qual a solução para o aparente problema mas contamos sempre com a razoabilidade dos políticos e a inteligência da população, de quem duvidamos com demasiada frequência. A não ser que se pretenda proibir inaugurações em ano de eleições.
Caro Francisco,
Não me passa pela cabeça sugerir proibições, pois já temos proibições em demasia. O que gostava mesmo era ter o Gimnodesportivo ao serviço da população.
Sobre as vistorias a edifícios inaugurados nestes alturas, sabe como eu que muitos deles são inaugurados sem as condições exigidas aos privados. Conheço um aqui bem próximo de mim, que após a inauguração esteve mais de um ano a ser servido por um cabo eléctrico que passava dentro de uma mangueira e por sua vez por cima de uma estrada. O exemplo vem de cima.
Comparado com o viaduto sobre a A5 que liga a Outurela a Miraflores que está a ser arrastado há mais de 2 anos para aguardar as eleições certas… isso não é nada!
Ana,
Certamente que os valores de obra envolvidos são diferentes, assim como o impacto negativo sobre a população, mas a atitude é exactamente a mesma, e reprovável.
E sem que querer ser mal entendido os investimentos públicos não são objectivamente um fim em si. Por isso se chamam investimentos (o que implica retorno). São um meio para atingir criação de riqueza, emprego, melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, entre outras. Pelo menos quem é de esquerda, como eu, assim os entende.
Esse entendimento não é exclusivo da esquerda, pois eu não sendo ‘canhoto’ concordo totalmente com ele. O que fim a que me refiro é ao efeito eleitoralista da inauguração. Se a prioridade fosse servir a população (o tal retorno de que falamos) não havia motivo para adiar o dia da inauguração.
Claro que o eleitorado é inteligente e vê o que se passa.
Mas não será por muitas como esta que a classe politica está desacreditada?
Obrigado.