O ano passado, a Câmara Municipal de Lisboa assinou um protocolo para a instalação da Fundação José Saramago na Casa dos Bicos em Lisboa. Escrevia-se na altura: A Câmara fará as obras de adaptação que, segundo o presidente da Câmara, serão “diminutas” ou A autarquia ficará responsável pelas «pequenas obras» necessárias à adaptação das instalações. Como é que se traduz “diminutas” e “pequenas obras” em valor monetário? A avaliar por isto, são até ao momento 269.329,00 €.
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Jorge Assunção Autor do blogue Despertar da Mente e co-autor do blogue Delito de Opinião.







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Caro Jorge,
Considera, então, que as pequenas obras se deviam resumir, apenas e exclusivamente, a mudança de lâmpadas fundidas e oferta de uns blocos de post-it?
Caro Carlos,
eu considero que nem devia existir cedência do espaço, quanto mais “pequenas obras”. Tanto mais quanto o actual presidente queixa-se aos quatro ventos que não tem dinheiro para pagar aos pequenos fornecedores. Mas se o Carlos considera 269 mil euros (e suspeito que as coisas não fiquem por este valor) “pequenas obras”, o que quer que lhe diga?
Caro Jorge,
Estamos entendidos. Temos leituras diferentes. Eu considero que a instalação da Fundação José Saramago é importante para Lisboa, pela mais valia que traz e tem capacidade de gerar em termos culturais. Além de recuperar um belo edifício, que tinha perdido o seu valor na capital.
Quanto às dívidas, recordo que a actual Câmara, liderada por António Costa, tem vindo a pagar as dívidas deixadas pelos anteriores Executivos, de Santana Lopes e Carmona Rodrigues.
“Temos leituras diferentes.”
Parece que sim, especialmente no conceito de “pequenas obras”. Quanto às dividas, apesar da péssima gestão Santana/Carmona, o problema da CML é muito anterior a esta. Era bom que a sua memória não fosse como a de Rangel, selectiva.
Felizmente não tenho a memória de Paulo Rangel.
Houve dívida do tempo da gestão de João Soares? Sim. Ele própio comunicou à cidade que ia contrair dívida para acabar com o cancro de barracas que minava a cidade. A obra projectou-se e concretizou-se.
Santana Lopes, quando assumiu a liderança da Câmara, herdou uma cidade melhor. O mesmo não se pode dizer da sua gestão, com Carmona, que esbanjou dinheiro e o retorno foi quase nulo.
Parece irremediável: temos leituras diferentes. E o conceito de melhor, como saberá, é relativo.
Um militante ou simpatizante partidário dizer que a lista do seu partido é a melhor ou que a vereação do seu partido deixou a cidade melhor é uma mera opinião que necessita de demonstração, tanto quanto a opinião de qualquer cidadão, comentador, politólogo ou articulista.
Seria o mesmo que um benfiquista dizer que a sua equipa é a melhor da liga.